Manifestantes fazem ato diante da casa de legista da ditadura | R7

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07/04/2012 | 17h02

Jovens e parentes de vítimas do regime cobram a instalação da Comissão da Verdade

Amanda Polato, do R7

Defensores de direitos humanos deixaram uma coroa de flores na casa de um antigo agente da ditadura militar

Neste sábado (7), 120 pessoas fizeram uma passeata na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, para protestar contra repressores da ditadura. Em defesa da Comissão da Verdade e pela punição dos agentes do regime militar, o grupo fez um ato na frente da casa de Harry Shibata, médico e diretor do IML (Instituto Médico Legal) entre 1976 e 1983.

Jovens ergueram faixas com palavras de protesto e deixaram no local uma coroa de flores, lembrando as vítimas da ditadura. A palavra “assassino” foi escrita no muro da casa. De acordo com a organização do protesto, Shibata assinava laudos necroscópicos atestando falsamente a causa de morte de militantes antirregime. É dele, por exemplo, a versão de suicídio para a morte do jornalista Vladimir Herzog.

A intenção dos manifestantes, que não estão ligados a entidades ou partidos políticos, foi tornar públicas ações como tortura e ocultação de cadáver praticadas pelo regime militar. Pedro Nogueira, um dos organizadores, diz que a luta pela memória está ganhando força no país.

– A Comissão da Verdade periga ficar no papel. Já que não há Justiça, há o esculacho. Temos que cobrá-la nas ruas. Sem pressão da população, ela [a comissão] não vai sair.

Criada em novembro de 2011, a comissão será responsável por investigar violações dos direitos humanos entre 1946 e 1988, sem poder de punição. O período inclui a ditadura militar (1964-1985), que deve ser o foco principal dos trabalhos. Por tensões entre militares e o governo, os integrantes do grupo ainda não foram escolhidos.

Memória das vítimas

Os manifestantes levaram às ruas da Vila Madalena uma série de placas com imagens e histórias das vítimas da ditadura. Levantando uma delas estava Amelinha Teles, de 67 anos, que tem três parentes desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. Ela conta que a família já ganhou uma ação judicial na Justiça brasileira e também na OEA (Organização dos Estados Americanos), mas o Estado ainda não puniu os culpados pela morte de seus cunhados e ainda não localizou os corpos.

– É um orgulho ver esses jovens nas ruas, com essa luta tão necessária. Essa memória não vai ser perdida. […] Esse problema não é restrito às famílias de vítimas, mas a todos que morreram para libertar o país de uma ditadura. Foi uma luta por todo o povo brasileiro.

Também presente na manifestação, o ativista José Luiz Del Roio, 70 anos, teve 60 colegas desaparecidos na ditadura. Ele era membro do Partido Comunista Brasileiro no início da ditadura e depois atuou na ANL (Aliança Libertadora Nacional).

– Foi terrível ver tanta gente jovem – alguns até mais novos do que eu – morrerem.

Sobre a Comissão da Verdade, Del Roio diz que é uma boa iniciativa, apesar de muito tardia.

– Muitos dos velhos já morreram, sem saber o que aconteceu com seus irmãos, pais e mães. Entendo que as pressões que a presidente [Dilma Rousseff] sofre são fortes, mas é uma questão que envolve toda a nação.

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