Prefeitura e movimento marcarão a Porto Alegre das prisões políticas e da tortura | Sul21

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24/05/2012 | 17h58

Felipe Prestes

Locais como o Dopinha, centro clandestino de tortura, receberão identificação | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Em um futuro breve, quem passar em frente a mais de dez locais de Porto Alegre poderá saber, da calçada mesmo, que ali houve prisões políticas ou tortura – ou as duas coisas. Na última terça (22), a Prefeitura e o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) assinaram um convênio para implantar o projeto Marcas da Memória. O movimento vai mapear os locais e a Prefeitura fará a identificação, com uma placa ou algo semelhante. “As pessoas têm o direito de saber o que aconteceu nos Anos de Chumbo, principalmente para que a gente consolide, cada vez mais, o Estado Democrático de Direito”, afirmou o prefeito José Fortunati, durante a formalização do convênio.

“É uma coisa impressionante. Andamos por avenidas Castelo Branco, ou escolas Costa e Silva. É justo que marquemos os locais em que estes senhores fizeram a ditadura militar. Vamos fazer um resgate histórico”, afirma Jair Krischke, presidente do MJDH. Krischke já mapeou doze lugares que devem receber a identificação. O critério de escolha é ter havido prisão política ou tortura. Ele ainda vai buscar subsídios que comprovem o que ocorreu nestes lugares e também recolher informações para ver se há novos lugares que devem receber a identificação.

Boa parte dos doze locais já mapeados (confira no mapa) são unidades do Exército que recebiam presos políticos. Há também o Palácio da Polícia, que era sede do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) em Porto Alegre e uma área militar na Luiz Afonso, no Bairro Cidade Baixa, que era sede do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), além do casarão da Rua Santo Antônio conhecido como Dopinha, que foi usado como centro clandestino de tortura.

Será dada atenção especial à Ilha do Presídio, no Guaíba, que recebeu dezenas de presos políticos durante a Ditadura Militar. “Lá na Ilha pretendemos colocar um totem. Pedimos recentemente o tombamento do local como patrimônio histórico. Muitos materiais estão sendo roubados, é preciso segurança. Lá estiveram presos pessoas como o Rui Falcão (atual presidente do PT) e o ministro Fernando Pimentel. A Dilma Rousseff ia lá visitar o Carlos Araújo. Então, a Ilha do Presídio tem importância nacional”, diz Krischke. Para que a população conheça a história da prisão, serão colocadas placas em dois locais onde barcos se deslocavam até a ilha: o Cais do Porto e em frente à sede da Estação Assunção do Corpo de Bombeiros, na Vila Assunção.

Krischke estuda incluir locais como Hospital Militar e a sede da Justiça Militar | Foto: Ivo Gonçalves/PMPA

Além disto, Krischke vai analisar se inclui outros locais importantes para as arbitrariedades da ditadura militar, como o Hospital Militar, para onde eram levados presos que precisavam ser atendidos após sofrerem tortura, e a sede da Justiça Militar. “Ali ocorreram aberrações. Civis eram julgados por um Tribunal Militar. Denúncias de tortura chegavam e eram engavetadas”, afirma Krischke.

Além da definição dos locais, MJDH e técnicos da Prefeitura vão elaborar uma placa padrão para todos os locais. “As pessoas precisam saber que é o mesmo conjunto”, explica Krischke. Ele também deve elaborar um pequeno texto com a explicação do que ocorreu em cada lugar. “De forma bem sucinta, é preciso assinalar o que aconteceu”.

Krischke explica que as placas, em geral, ficarão na calçada. Mas como a maioria dos locais é órgão público, pode-se conversar com as autoridades para afixar a identificações nos prédios. O presidente do MJDH avalia que o material utilizado deverá ser bastante simples, mas elaborado de forma a evitar vandalismo. “Pela grandiosidade do tema, será algo muito pouco expressivo em termos de valor”, afirma.

O convênio que durará dois anos também prevê a elaboração de políticas públicas de memória. Krischke revela que o prefeito José Fortunati já sugeriu uma delas: que os ônibus que fazem rota turística pela Capital contemplem os locais identificados pelo Marcas da Memória. “Podemos promover ciclos de cinema, debates”, afirma.

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