Egydio quer colaborar sobre morte de Vladimir Herzog | O Globo

03/06/2012 | 23h

Governador de São Paulo na época, ele afirma que jornalista foi assassinado no DOI da Tutoia

Chico Otavio

Ex-governador de São Paulo Paulo Egydio, em entrevista a Geneton Moraes Neto

RIO – Governador de São Paulo de 1975 a 1979, período em que o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho morreram na carceragem do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do Exército no estado, Paulo Egydio Martins disse no programa “GloboNews Dossiê”, exibido ontem, que está disposto a colaborar com a Comissão da Verdade no esclarecimento dos crimes do regime militar. Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, ele declarou não ter dúvidas de que os agentes da repressão mataram Herzog no DOI da Rua Tutoia, e a cena do crime foi maquiada para parecer suicídio.

Paulo Egydio, que não tinha bom relacionamento com o então comandante do II Exército (São Paulo), general Ednardo D’Ávila, garantiu que, após o crime, no dia 25 de outubro de 1975, manifestou essa certeza ao presidente Ernesto Geisel:

— Disse claramente, como acabo de repetir para você. Ele sabia disso. Se maquiou um suicídio. Não houve suicídio. Herzog foi assassinado dentro das dependências do II Exército na Rua Tutoia, em São Paulo.

Vladimir Herzog era diretor de Jornalismo da TV Cultura, órgão vinculado ao governo paulista. Na entrevista à GloboNews, o ex-governador disse também que, pouco antes do crime, determinou uma investigação sobre as atividades de Herzog, em resposta a rumores de que o jornalista era ligado aos comunistas, e concluiu que o diretor da TV Cultura tinha ficha limpa em todos os órgão ligados à repressão política, razão pela qual ele foi mantido no cargo.

Paulo Egydio disse que, por ter liberdade com Geisel para “pensar alto”, manifestou ao presidente a desconfiança sobre o que poderia estar por trás de crimes desse tipo:

— Dizia para Geisel: “Presidente, estou estranhando, existe alguma coisa a mais.” E Geisel: “Paulo, tire isso da cabeça! Enquanto eu for presidente, nada vai acontecer.” Geisel não aceitava que a autoridade dele pudesse ser questionada. Não é mais um fato a averiguar. É um fato histórico. Havia um plano de derrubar o general Ernesto Geisel da Presidência da República. Tentaram me usar como governador do estado mais forte da Federação naquela ocasião pela minha ligação pessoal com ele, que era pública e notória.

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http://oglobo.globo.com/pais/egydio-quer-colaborar-sobre-morte-de-vladimir-herzog-5110779

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