Casa da Morte: professor monta peça para não apagar a História | O Globo

26/06/2012 | 23h47

Intenção foi combater versão de que local nunca existiu

Chico Otavio
Juliana dal Piva
Marcelo Remígio

Rita e Sylvio: peça montada pelo casal pede a desapropriação da Casa da Morte e a criação de um centro para lembrar as mortes no local

RIO – — Professor, a Casa da Morte nunca existiu. Tudo isso foi uma fantasia.

A afirmação de um aluno do ensino médio de uma escola da rede pública de Petrópolis, durante uma aula de Literatura, chamou a atenção do ator e professor de Língua Portuguesa e Literatura Sylvio Costa Filho, de 57 anos. A visão do estudante não era única. Ao conversar com outros alunos, Sylvio percebeu que a versão ganhava força nas escolas do município, passando uma borracha em episódios tortuosos da ditadura — o que levou o professor a criar uma peça de teatro sobre a Casa da Morte. Hoje, ele percorre o circuito cultural da Região Serrana e escolas contando episódios dos anos de chumbo e a trajetória do aparelho montado em Petrópolis.

— Aquelas palavras do meu aluno, há uns quatro anos, chamaram atenção para o risco de fatos ocorridos na ditadura militar serem esquecidos ou deturpados. Passei a contextualizar mais os fatos e a trabalhar textos que contam a realidade vivida pelos militantes políticos na época — diz ator, que teve uma amiga que sumiu na Guerrilha do Araguaia.

As aulas deram origem à peça “O trombone e o fuzil”. O texto conta a vida de um militar que atuou no período da repressão política e hoje vê sua filha engajada na luta pelos direitos humanos e o filho alheio ao trabalho da irmã. Durante a peça, o elenco pede a desapropriação da Casa da Morte e a criação de um memorial para lembrar os que morreram lá.

— A peça faz um alerta para que a história da Casa da Morte não seja esquecida. O texto quer despertar os estudantes para o período da ditadura, muitos não sabem ou não se interessam pelos fatos que ocorreram durante os governos militares — diz a diretora e mulher de Sylvio, a atriz e arquiteta Pita Cavalcanti.

— Evitamos expor a violência, a proposta é levar a plateia a pensar — diz Sylvio.

_

http://oglobo.globo.com/pais/casa-da-morte-professor-monta-peca-para-nao-apagar-historia-5326296

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: