Estado do Rio teve 13 centros de tortura de presos políticos | O Globo

11/08/2012 | 17h12

Pesquisa da UFMG mapeou 82 cárceres mantidos pela ditadura no Brasil

Mapa da repressão no Estado do Rio

RIO – Dos 82 centros de tortura que funcionaram no regime militar no Brasil entre 1964 e 1985, 13 localizavam-se no Rio de Janeiro. O número, que faz parte do mapa produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre os endereços da repressão durante a ditadura militar, surpreendeu a coordenadora do projeto, a professora Heloísa Starling. Embora não esperasse uma quantidade tão grande, ela deduz que o número pode estar ligado à forte presença de organizações de esquerda no estado e ao entendimento de que a cidade era a porta de entrada do país.

— Foi no Rio que aconteceram o sequestro do embaixador americano e o roubo ao cofre de Ademar de Barros — explicou a professora.

A pesquisa, desenvolvida no projeto República do Núcleo de Pesquisa, Documentação e Memória da UFMG, será apresentada amanhã em evento promovido pela Comissão Nacional da Verdade na sede da OAB-RJ. Ao lado de São Paulo e Pernambuco, o Rio está entre os três estados com a maior incidência de centros de tortura do país.

O número elevado de cárceres paulistas era esperado, mas no caso das unidades pernambucanas, o projeto supõe que o regime priorizou um estado irradiador de ações de esquerda para o resto do Nordeste, além de ter sido cenário do atentado ao Aeroporto de Guararapes e de queimas de canaviais.

Estudo servirá de base para a Comissão da Verdade

Para desenvolver o mapa, que servirá de base para as investigações da Comissão Nacional da Verdade, os pesquisadores do Projeto República classificaram os centros em quatro categorias: militares, policiais civis, clandestinos e híbridos (compartilhado entre militares e policiais civis). Uma das novidades apontadas pelos pesquisadores do grupo é um sítio em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Entre os locais mais conhecidos por tortura, morte ou desaparecimento de militantes que combateram o regime estão os temidos Destacamentos de Operações de Informações — Centros de Operações de Defesa Interna (DOI-Codis) de São Paulo e do Rio de Janeiro, e os Departamentos de Ordem Política e Social (Dops). Já entre os clandestinos, estão a Casa da Morte, em Petrópolis, e o Sítio 31 de Março, mas o número total, como demonstram pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, pode ser muito maior.

— O mapa não é definitivo. Espero que sirva de estímulo para outros pesquisadores continuarem procurando e identificando centros de tortura — disse Heloísa Starling, coordenadora do projeto.

Em junho, o GLOBO publicou uma série de reportagens com relatos do coronel Paulo Malhães, primeiro agente da repressão a admitir que atuou na Casa da Morte. Malhães revelou que o local teria sido utilizado como “casa de conveniência” para formar infiltrados nas organizações de esquerda.

Imagens inéditas de Fleury

Iniciado em 2007, o estudo está sustentado pelo mapeamento feito pelos pesquisadores. Outro objetivo é produzir um mapa dos acervos disponíveis. A equipe é formada por 20 pessoas, entre alunos de graduação, mestrado e doutorado. Na segunda-feira, os estudantes também mostrarão um vídeo com imagens da repressão, entre as quais uma filmagem inédita do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury em uma cerimônia de condecoração da Marinha.

A professora fez questão de ressaltar que a prática da tortura se instalou desde o início do regime, mas teria se materializado como política de Estado no período compreendido entre os anos de 1969 e 1977, época em que se registra a maior parte das mortes e desaparecimentos de guerrilheiros.

Além da apresentação do estudo, a comissão realizará uma audiência pública com ex-presos e familiares de mortos e desaparecidos, além de debates com convidados como os professores Carlos Fico, Maria Celina D’Araújo e o teólogo Leonardo Boff.

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http://oglobo.globo.com/pais/estado-do-rio-teve-13-centros-de-tortura-de-presos-politicos-5763927

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