Comissão da Verdade pretende ouvir empresários | Valor Econômico

23/10/2012

Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte

O ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, um dos sete integrantes da Comissão Nacional da Verdade, disse ontem que a comissão vai ouvir o depoimento de empresários para apurar da participação de empresas no financiamento de órgãos de repressão durante o regime militar.

“Essa é uma questão extremamente delicada, mas que nós estamos, com muita cautela, apurando para valer”, disse ele ontem em Belo Horizonte após uma audiência pública na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo Dias, a comissão prefere ainda manter em sigilo as empresas que estão sob o foco das investigações.

“É como um inquérito policial: o segredo é alma do negócio. Se eu começar a anunciar que temos elementos contra tais e tais empresas, é claro que – para usar uma expressão bem vulgar – mela”, disse Dias, que é advogado criminalista.

Perguntado se está nos planos da comissão ouvir empresários, Dias disse: “Claro, nós iremos ouvi-los na medida em que formos apurando”.

O advogado disse não ter certeza sobre a participação de empresas de Minas Gerais no financiamento de ações ou órgãos repressores que cometeram crimes contra militantes anti-regime, como houve em São Paulo com a Operação Bandeirante (Oban), que recebeu recursos de empresas privadas para caçar e torturar militantes – muitos acabaram mortos.

O ex-ministro disse, no entanto, que acha que empresas de Minas também ajudaram a financiar a tortura. “A contribuição era no sentido global. É claro que quando o dinheiro era entregue ao DOI-CODI, não era obrigatoriamente para ser gasto só com a tortura de São Paulo, mas onde fosse necessário”, disse ele. “Esse é um dos pontos que é objeto do trabalho da comissão: apurar a participação desses financiadores da repressão e da tortura.”

Dias se reúne hoje com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB). Representantes da comissão já tiveram encontros nos governos de São Paulo e de Pernambuco para obter a cooperação dos Estados na abertura de todos os documentos referentes ao período analisado pela comissão. Segundo Dias, Anastasia já adiantou por telefone que a comissão poderá contar a boa vontade do governo e franquear à comissão acesso aos documentos de posse do governo.

Além de Dias, participaram da audiência pública na UFMG outras duas integrantes da comissão: a psicanalista Maria Rita Kehl e a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha.

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