Documentos mostram que Operação Condor continuou após Lei de Anistia | EBC

26/11/2012 | 17h31

Leandro Melito

Brasília – A Operação Condor, como ficou conhecida a articulação entre os sistemas de repressão das ditaduras na América Latina, manteve suas operações mesmo após a vigência da Lei de Anistia brasileira, criada em 1979. A informação está nos documentos entregues nesta segunda-feira (26) à Comissão Nacional da Verdade pelo ativista Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos.

As informações foram utilizadas por Krischke quando representou famílias de argentinos desaparecidos no Brasil e apontam ações atribuídas à Operação ocorridas no país em 1980 e 1984. As estatísticas oficiais reconhecem que seis argentinos desapareceram no Brasil durante o regime militar (1964-1985) e há mais três casos em investigação.

Ao entregar os documentos para a Comissão, o ativista espera o reconhecimento público dos autores desses crimes. “É preciso apresentar os nomes e aqueles que estão vivos devem responder pelos seus atos de covardia”. Ele também pretende trazer à tona o papel central do Brasil na articulação entre as ditaduras da América Latina. “A repressão brasileira teve um papel mais importante que os EUA, uma ditadura feroz que serviu de modelo para toda a região”, afirma.

Confira relato em vídeo de Jair Krischke sobre documentos entregues

Durante o evento público realizado em Brasília, Krischke também apresentou oficialmente à Comissão documentos que revelam que a primeira ação da Operação Condor ocorreu em 1970, cinco anos antes da reunião de Santiago, onde a cooperação entre as ditaduras teria sido formalizada.

O material relata a prisão do ex-coronel do Exército Jefferson Cardin Osório na Argentina, em dezembro de 1970 e também foi apresentado em primeira mão no programa Repórter Brasil da TV Brasil. Em 1965, Osório comandou a guerrilha de Três Passos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a primeira contra o regime militar do Brasil e, por isso, era um militante visado. Um ano antes, ele teve os direitos políticos cassados pelo Ato Institucional 4, de 1964.

A prisão do ex-coronel é detalhada em um documento da Embaixada do Brasil na Argentina. Nele, o adido brasileiro conta que obteve informações sobre o local onde estava Osório e como efetuou a prisão com o auxílio da polícia argentina. No texto, o representante brasileiro ressalta a existência de um decreto que permitia que os presos fossem entregues às autoridades brasileiras.

Rosa Cardoso, coordenadora do grupo que investiga a Operação Condor na Comissão Nacional da Verdade disse que os documentos serão estudados pela Comissão e apresentados aos familiares e vítimas da repressão. “É muito importante o olhar da vítima nessa questão”. Rosa considera que esses documentos apontarão caminhos para novos depoimentos a serem colhidos pela Comissão, tanto do lado das vítimas, quanto da repressão.

Confira vídeo com depoimento de Rosa Cardoso sobre entrega dos documentos

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http://www.ebc.com.br/cidadania/2012/11/operacao-condor-continuou-apos-lei-de-anistia

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